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Há 20 anos, Inter iniciava com empate sua trajetória na Libertadores 2006

O Inter faz sua estreia na Libertadores da América! 

Essa não é a preocupação do torcedor colorado em 2026, mas foi manchete há 20 anos, no dia 16 de fevereiro de 2006. Era o início da trajetória de um time que marcou época. Hoje, muita gente vê aquele time como azarão, como uma equipe que foi se forjando ao longo da competição. Isso não é exatamente uma verdade. 

O Inter já era um dos favoritos desde o início da competição. A campanha no Brasileirão 2005 e a manutenção da base eram grandes trunfos. No Guia da Libertadores da Placar, Arnaldo Ribeiro escreveu no editorial: “O Inter é nosso maior favorito”, em comparação com as demais equipes brasileiras. No miolo, a revista ainda destaca o foco na preparação física, já que o elenco jogou quase 70 jogos no ano anterior. Os destaques individuais, claro, eram Fernandão e Tinga. 

A estreia colorada foi na Venezuela, enfrentando o Unión Maracaibo, um time fundado em 2001, que ganhou em 2005 o seu primeiro e até hoje único título nacional. Aquela partida contou com um público entre 30 a 35 mil pessoas. Segundo consta, a pedido da Prefeitura de Maracaibo, os portões foram abertos ao público. 

Curiosamente, o Inter estreou inteiro de branco – e seria assim que aquela temporada mágica também terminaria. 

Com a bola rolando, foi uma partida longe de ser brilhante. O Inter teve mais o controle da bola, mas não conseguia de fato exercer uma pressão. No primeiro tempo, as duas melhores chances foram em cabeceios de Fernandão.

Nessa escalação, Abel Braga optou por Michel no lugar do Sóbis, lesionado. Isso mudava bastante a característica da equipe, já que o Michel era um 9 mais de área, ao contrário do Sóbis, que participava mais do jogo. O Michel acabou jogando mais pela ponta direita, mas claramente essa foi uma opção que não funcionou. Outro ponto que chama a atenção é que o capitão do Inter nesta primeira partida foi o Iarley, e não o Fernandão, como a gente se acostumou a ver ao longo daquela campanha. 

No segundo tempo, o gol saiu rapidinho, logo com 4 minutos. A jogada começa pelo lado esquerdo em uma rápida triangulação. Iarley para Edinho; que toca para Tinga; que devolve para Edinho; e este serve Iarley em velocidade. Daí pra frente o lance fica meio esquisito. Iarley finaliza pressionado e o goleiro solta a bola para o meio da área. No bate-rebate, ela sobra na quina da grande área, pelo lado direito. Ceará está lá, ajeita o corpo e bate firme de peito de pé. A bola cruza e morre no canto direito do goleiro venezuelano. Um lindo gol que abriu a jornada colorada pelas Américas. 

Depois de abrir o placar, o Inter seguiu tendo uma atuação discreta e o Maracaibo aos poucos foi se soltando. O selecionável Giancarlo Maldonado era o que mais incomodava. Aos 25, Clemer foi obrigado a fazer grande defesa em chute de fora da área do argentino Beraza

Buscando mudar o jogo, Abel Baga acionou Ariano Gabiru e Jorge Wagner, sem muito sucesso. O Maracaibo continuou ganhando cada vez mais espaço. Abel tentou recompor com Perdigão. Mas por incrível que pareça, o Maracaibo conseguiu exercer pressão de forma mais eficiente do que o Inter e o final do jogo foi virando um Deus nos acuda

Até que no fim, o árbitro marca uma falta inexistente de Perdigão pelo lado direito da defesa colorada. Aos 43, Figueroa bate no meio da área uma bola perigosa, Clemer espalma para o meio da área e Maldonado completa pro gol.

Um banho de água fria na estreia, mas que deixava um recado importante: não existe jogo fácil na Libertadores da América. 

Ficha Técnica:

Maracaibo: Angelucci; Hector Gonzáles, Bovaglio, José Gonzáles e Elvis Martinez (Yori); Pedro Fernandez, Andrée Gonzáles, Camariel García (Figueroa) e Guillermo Beraza; Cásseres (Guerra) e Giancarlo Maldonado. Técnico: Carlos Maldonado

Internacional: Clemer; Ceará, Bolívar, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Fabinho, Edinho e Tinga (Jorge Wagner); Michel (Adriano), Iarley (Perdigão) e Fernandão. Técnico: Abel Braga

Data: 16/02/2006 (quinta-feira)
Local: Estádio José Pachencho Romero, em Maracaibo (VEN)
Árbitro: Pedro Ramos (EQU)
Auxiliares: Alfredo Intriago e Marco Muzo (EQU)
Cartões amarelos: Camariel Garcia, Pedro Fernandez (Maracaibo); Rubens Cardoso e Fabinho (Inter)
Gols: Ceará, aos 4’, e Maldonado, aos 43’ do segundo tempo.

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